Além disso, com o uso frequente, os neurônios passam a reconhecer com mais facilidade os momentos e os estímulos psicológicos e de ambiente que antecedem o uso daquela substância. As atividades físicas são parte fundamental do tratamento tanto para a saúde física quanto mental de uma pessoa. Muitas pessoas já conhecem os benefícios que dos exercícios como a liberação de endorfina, hormônio responsável pelo bem-estar.
Dependência Química
A neurobiologia de qualquer comportamento aprendido deve incluir uma série de mecanismos que, por um lado, garantam que a estimulação sensorial resulte em respostas musculares e glandulares e, por outro, “memorizem” a relação entre estímulos e respostas. A localização específica dessas áreas anatômicas sensoriais e motoras ainda não são bem conhecidas, mas sabe-se que a circuitaria sensório-motora denominada “córtico-estriatal-palidal-talamocortical” está envolvida nos processos de aprendizagem. Estímulos ambientais e respostas motoras estimulam áreas especificas do córtex sensorial ou motor.
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
“Ela mexe com o sistema de recompensa da pessoa”, explica o psiquiatra Daniel Barros. A dependência química é uma doença crônica e multifatorial, isso significa que diversos fatores contribuem para o seu desenvolvimento, incluindo a quantidade e frequência de uso da substância, a condição de saúde do indivíduo e fatores genéticos, psicossociais e clínica de recuperação de dependentes químicos ambientais. A dependência química é uma doença, classificada por especialistas como um transtorno psiquiátrico. Porém, esse quadro não impede que o dependente consiga realizar o tratamento e voltar para o convívio social. É muito importante que a família esteja atenta aos sintomas e procure uma clínica para começar o tratamento o quanto antes.
Dependência química: sintomas, tratamentos e causas
Isso porque a pessoa dependente não consegue controlar o desenvolvimento da sua escolha, que causa modificações clínicas em seu funcionamento cerebral. Consequentemente, o seu comportamento se altera, o que pode causar muitas mudanças negativas em sua rotina e também na das pessoas a seu redor. A longo prazo, a dependência química pode ser fatal ou favorecer o surgimento de diversas sequelas. Uma das características de predisposição biológica para a dependência química é o aumento da tolerância orgânica, ou seja, a capacidade cada vez maior do indivíduo de consumir determinada substância sem que ela surta o efeito no organismo. Quando o paciente é diagnosticado, é importante que além do tratamento para a dependência química, o indivíduo também tenha acompanhamento clínico para garantir a melhora de sua saúde como um todo. Como parte desse mecanismo, os neurônios que formam o sistema antirrecompensa ficam hiper-reativos.
Ao contrário do que muitos pensam, a definição de dependência química não deriva somente da quantidade de substância consumida. Aliás, essa é uma linha bastante tênue, e que varia muito para cada pessoa. Muitas vezes, em uma simples reunião de amigos ou parentes, sem perceber, inicia-se um processo que pode levar ao fundo do poço. Ou como outros dizem, ao fundo da fossa, pois o fim, na dependência química, não nos oferece água.
Contudo, o uso repetitivo acaba por desregular o funcionamento dessas áreas de prazer do cérebro, fazendo com que o indivíduo sinta um prazer imenso ao usar a droga, porém tenha dificuldades em sentir prazer ao realizar outras atividades. Por conta disso, a substância acaba gerando uma compulsão pelo uso da droga, abrindo espaço para o desenvolvimento de tolerância à droga e dependência química. — A droga passa a ocupar um espaço central na vida do indivíduo, que não consegue conter o vício, afetando sua vida psíquica, emocional, física e, consequentemente, social e financeira. O dependente químico tende a apresentar a compulsão pelo uso da droga, sintomas de abstinência, necessidade de doses crescentes para atingir o efeito inicial, falta de controle sobre a quantidade do uso e abandono de atividades como lazer, convívio social, esportes etc — detalha. Em processos operantes, estímulos que indicam o aumento da probabilidade de reforço também eliciam aumento de disparos de neurônios dopaminérgicos mesencefálicos após treino.
Com isso, para que se obtenha o mesmo efeito de prazer, são necessárias doses cada vez maiores e mais frequentes, o que causa o descontrole e, num ciclo vicioso (literalmente), a dependência. Infelizmente, a dependência química ainda representa uma espécie de “grande tabu velado” na sociedade. A regulação pela dopamina da neurotransmissão glutamatérgica no CPF depende do tipo de receptor dopaminérgico que é preferencialmente estimulado (Seamans & Yang, 2004). Um tipo de regulação, chamado de estado 1, é mediado pelo receptor dopaminérgico D2 e se caracteriza pela diminuição de inibição sináptica.
O que antes era considerado doença ou falta de vontade, hoje é entendido como alteração no controle de estímulos antecedentes e conseqüentes sobre o comportamento de escolha, decorrente de mudanças específicas no sistema nervoso central. Essa perspectiva promete o desenvolvimento de tecnologia comportamental e farmacêutica mais precisa para o tratamento da dependência de drogas. Em períodos de abstinência, dependentes de cocaína mostram atividade basal no CPF reduzida, assim como diminuição da atividade dopaminérgica e diminuição de receptores D2 nessa área (Garavan et al., 2000). Também nesses sujeitos, a apresentação de estímulos associados à droga mostra-se temporalmente correlacionada com aumento de atividade do CPF e do nível fissura auto-relatado. Ainda mais, quando estímulos reforçadores naturais lhes são apresentados, como estímulos sexuais, é observada uma ativação do CPF significativamente menor do que aquela produzida pelos estímulos associados à droga e do que a observada em sujeitos não dependentes (Garavan et al., 2000).
Gustavo também esclarece que mesmo drogas com proximidade à origem vegetal — como maconha, cafeína, cogumelos alucinógenos, folha de coca — possivelmente contém uma mistura de elementos psicoativos que podem levar ao uso abusivo e, consequentemente, ao transtorno. O médico é o nome à frente de uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que pode resultar na primeira vacina latino-americana antidroga. Intitulado Calixcoca, projeto já passou por etapas pré-clínicas, em que foram constatadas segurança e eficácia para tratamento do vício em cocaína e crack. A Lei da Igualação é uma lei molar, ou seja, ela prediz como os organismos distribuirão seus comportamentos entre várias alternativas ao longo de um período de tempo.
Quem tem um surto psicótico e fuma maconha, por exemplo, faz um péssimo negócio, porque se intensificarão os sintomas dessa doença já estabelecidos anteriormente. Fica difícil imaginar uma droga que aja só no centro de prazer sem perturbar os demais mecanismos bioquímicos do cérebro, que é um órgão complexo e evolutivamente preparado para vivenciar muitas formas de prazeres sutis. Ronaldo Laranjeira – Em relação à saúde, o efeito mais grave da cocaína são os problemas cardíacos e cardiovasculares. Quando associada ao álcool, então, ela é uma das principais causas de infarto do miocárdio em adultos jovens. O tratamento que exige mais cuidado é a fase de desintoxicação, realizada com assistência médica durante todo o período. Por conta disso, a internação é recomendada para eliminar as substâncias nocivas do organismo e amenizar os seus efeitos colaterais.
Algumas substâncias são as responsáveis por alterar alguns comportamentos em pessoas que as consomem e isso podem causar danos graves ao organismo. É válido lembrar que, em muitos casos, o dependente pode negar a sua condição e, até mesmo, recusar qualquer tipo de tratamento. Mais uma vez, os profissionais capacitados vão saber como agir e ajudar essas pessoas e suas famílias, conduzindo cada caso da melhor forma, de acordo com cada realidade. Por isso, é importante observar que existem diversos níveis de dependência e nem sempre é preciso que o usuário tenha o seu comportamento totalmente alterado com a substância ou que ele seja capaz de cometer transgressões para conseguir a droga. A dependência química é mais comum do que podemos imaginar em nossa sociedade, mas, muitas vezes, ela pode não ser percebida ou, até mesmo, não ter a sua gravidade considerada. Equipes especializadas para receber, acolher e tratar esses pacientes são imprescindíveis para que o tratamento seja realizado de acordo com as necessidades do dependente químico.

